Cabos de rede azuis conectados a um switch em ambiente escuro
Foto: Scott Rodgerson / Unsplash

O Pi-hole é um bloqueador de anúncios que funciona para a rede inteira. Em vez de instalar uma extensão em cada navegador, você instala o Pi-hole uma vez num computador pequeno e todos os aparelhos ligados ao seu Wi-Fi passam a navegar com menos propaganda e menos rastreadores: celular, TV, notebook, até aquele aplicativo que insiste em mostrar banner.

Eu mantenho uma stack com Pi-hole, Tor, Grafana e InfluxDB rodando numa placa ARM. Neste artigo explico como o Pi-hole funciona, como instalar, como configurar o roteador e quais cuidados tomar para não derrubar a internet de ninguém.

Como o Pi-hole funciona

Toda vez que um aparelho acessa um site, ele primeiro pergunta ao DNS qual é o endereço daquele nome. O Pi-hole se coloca nesse meio do caminho: ele vira o servidor DNS da sua rede.

  • Se o nome pedido está numa lista de bloqueio (servidores de anúncio, rastreadores, domínios maliciosos conhecidos), o Pi-hole responde com um endereço vazio. O anúncio simplesmente não carrega.
  • Se o nome é legítimo, ele repassa a pergunta para um DNS de verdade e devolve a resposta.

Como tudo acontece no DNS, não importa o aparelho. Se ele usa a sua rede, ele passa pelo Pi-hole.

O que ele bloqueia bem e o que não bloqueia

Bloqueia bemNão bloqueia (ou bloqueia mal)
Banners de sites e appsAnúncios do YouTube, que vêm do mesmo domínio do vídeo
Rastreadores de terceirosAnúncios embutidos em redes sociais
Telemetria de TVs e aparelhosAparelhos que usam DNS próprio fixo
Domínios de malware conhecidosTráfego que usa DNS criptografado direto no navegador

Ou seja: o Pi-hole melhora muito a experiência, mas não é mágico. Quem promete bloquear anúncio do YouTube só com DNS está exagerando.

O que você precisa

  1. Um computador que fique ligado 24 horas. Uma placa como Orange Pi ou Raspberry Pi é perfeita. Se quiser entender a diferença entre elas, veja Orange Pi ou Raspberry Pi.
  2. Cabo de rede ligando a placa ao roteador.
  3. Acesso ao painel do roteador, para trocar o DNS entregue aos aparelhos.
  4. Linux instalado (Armbian, Debian ou Raspberry Pi OS) e acesso por SSH.

O Pi-hole é leve. Roda tranquilo em placa modesta, junto com outros serviços.

Instalação passo a passo

Opção 1: instalador oficial

No terminal da placa, o instalador oficial faz quase tudo sozinho:

curl -sSL https://install.pi-hole.net | bash

Ele pergunta qual interface de rede usar, qual DNS de origem consultar e se você quer a interface web. Aceite a interface web: é por ela que você vê estatísticas e gerencia listas. Antes de rodar qualquer script baixado da internet, vale abrir o conteúdo e ler, inclusive esse.

Opção 2: Docker

Se a placa já roda outros serviços, Docker deixa tudo mais organizado. Você cria um docker-compose.yml com a imagem oficial pihole/pihole, define a senha do painel por variável de ambiente e mapeia a porta 53 (DNS) e a porta do painel web. É assim que eu rodo na minha stack, ao lado de Grafana e InfluxDB.

Em alguns sistemas, a porta 53 já está ocupada pelo serviço de DNS local do próprio Linux. Se o container não subir, esse é o primeiro suspeito.

Fixe o IP da placa

O Pi-hole precisa de IP fixo. Se o IP mudar, a rede inteira fica sem DNS e parece que a internet caiu. Faça uma reserva de DHCP no roteador para o endereço da placa.

Configurando o roteador

Aqui está o passo que faz o Pi-hole valer para todo mundo:

  1. Entre no painel do roteador.
  2. Procure a configuração de DHCP (às vezes chamada de LAN).
  3. No campo de DNS primário, coloque o IP da placa com Pi-hole.
  4. Salve e reinicie a conexão dos aparelhos (desligar e ligar o Wi-Fi resolve).

Alguns roteadores de operadora não deixam trocar o DNS. Nesse caso, há duas saídas: configurar o DNS manualmente em cada aparelho ou deixar o próprio Pi-hole fazer o papel de servidor DHCP e desligar o DHCP do roteador.

Cuidados para não virar o vilão da casa

  • Tenha um plano B. Se a placa desligar, ninguém navega. Um segundo Pi-hole ou um DNS secundário evita isso, com a ressalva de que o secundário não filtra.
  • Cuidado com listas agressivas. Lista demais quebra sites de banco, lojas e aplicativos. Comece com as listas padrão e adicione aos poucos.
  • Use a lista de permitidos. Quando algo parar de funcionar, o log de consultas mostra o domínio bloqueado. Libere e pronto.
  • Monitore a placa. Se ela travar, você quer saber antes da família reclamar. Eu acompanho a minha com Grafana, mas um alerta simples já ajuda. O guia de Zabbix e Grafana no Docker mostra como montar isso.

Pi-hole em pequena empresa

Num escritório, o Pi-hole também ajuda: reduz o carregamento de páginas cheias de propaganda e bloqueia domínios maliciosos conhecidos. Ele é uma camada a mais de proteção, não um antivírus nem um firewall. Para ter uma visão maior do assunto, leia segurança cibernética para pequenas empresas.

Perguntas frequentes

O Pi-hole deixa a internet mais rápida?

As páginas tendem a carregar mais rápido porque baixam menos coisa. O Pi-hole também guarda em cache as respostas de DNS, o que ajuda um pouco. Ele não aumenta a velocidade contratada.

Funciona no celular fora de casa?

Não por padrão. Fora da sua rede, o celular usa outro DNS. Dá para usar o Pi-hole de fora por meio de VPN, como WireGuard, sem abrir a porta 53 para a internet.

É legal. Você está escolhendo o que sua rede acessa. Alguns sites detectam bloqueador e pedem para desativar; aí é só liberar o domínio deles.

Preciso de muito conhecimento técnico?

Para instalar seguindo um tutorial, não. Para manter estável, com IP fixo, redundância e monitoramento, ajuda ter alguém com experiência em redes.

Quer o Pi-hole instalado e monitorado?

Eu instalo Pi-hole em casa ou no escritório, configuro o roteador, deixo redundância e monitoramento para você não ficar sem internet. Veja como funciona em monitoramento de rede ou me chame pelo contato.

Tem uma tarefa que você repete toda semana?

Me conta qual é. Em 20 minutos de conversa eu digo se dá para automatizar, quanto tempo leva e quanto custa — sem compromisso.

WhatsApp