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Monitoramento de internet: como provar queda de conexão para a operadora
Você liga para a operadora, espera, explica que a internet cai várias vezes por dia e ouve a mesma resposta: “aqui no sistema está tudo normal”. Sem prova, a conversa termina aí. Com monitoramento de internet, ela muda de tom.
A ideia é simples: um equipamento dentro da sua rede testa a conexão o tempo todo e anota cada falha com data, hora e duração. No fim do mês, você tem um relatório. É exatamente o que faz o netmon, um projeto meu que monitora duas operadoras a cada 2 segundos num Orange Pi 3 LTS de 2 GB e gera um PDF com as quedas.
Neste artigo explico como funciona, o que medir e como usar o resultado para cobrar a operadora.
Por que o teste de velocidade não prova nada
O teste de velocidade mostra como a internet estava naquele minuto. A queda que derrubou a maquininha de cartão às 11h40 não aparece num teste feito às 15h. E a operadora sabe disso.
Para provar instabilidade, você precisa de três coisas:
- Medição contínua, não pontual.
- Registro com horário, para cruzar com o que aconteceu no negócio.
- Histórico, para mostrar que é recorrente e não um caso isolado.
O que um monitor de internet mede
| Medida | O que significa | Por que importa |
|---|---|---|
| Disponibilidade | Se a internet respondeu ou não | Mostra a queda propriamente dita |
| Latência | Tempo de resposta em milissegundos | Latência alta trava chamadas de vídeo e sistemas na nuvem |
| Perda de pacotes | Percentual de testes sem resposta | Perda frequente indica linha ruim mesmo sem queda total |
| Duração da falha | Quanto tempo ficou fora | Base para pedir abatimento |
| Gateway versus internet | Se o problema é seu roteador ou a operadora | Evita culpar a operadora por defeito interno |
Esse último ponto é o mais esquecido. Se o monitor não consegue nem falar com o seu roteador, o problema é dentro de casa (cabo, roteador, energia). Se fala com o roteador mas não sai para a internet, aí sim a responsabilidade é da operadora.
Como o netmon faz isso
O netmon é escrito em Python sem dependências externas. Isso significa que ele roda em qualquer Linux, inclusive numa placa barata como o Orange Pi, sem instalar biblioteca nenhuma.
Funciona assim:
- A cada 2 segundos, ele testa destinos confiáveis pela operadora A e pela operadora B.
- Cada teste que falha fica registrado com o horário exato.
- As quedas viram registros com início, fim e duração.
- Sob demanda, ele gera um PDF com a lista de quedas e o resumo do período.
Esse PDF é o documento que você anexa no protocolo da operadora. O código está no meu GitHub (github.com/cleber-son).
Por que num Orange Pi e não no computador
O monitor precisa ficar ligado o tempo todo e cabeado no roteador. Computador desliga, entra em suspensão e usa Wi-Fi, o que mistura problema de Wi-Fi com problema da operadora. Uma placa pequena ligada por cabo resolve isso gastando pouca energia. Se quiser entender a placa, veja Orange Pi: o que é e projetos práticos.
Passo a passo para montar o seu monitoramento
- Ligue o monitor por cabo direto no roteador da operadora (ou no switch principal).
- Configure o horário automático (NTP). Relatório com horário errado perde valor.
- Escolha destinos de teste estáveis, como servidores DNS públicos conhecidos, e use mais de um para não confundir falha de um servidor com queda da internet.
- Teste também o gateway (o IP do roteador) para separar problema interno de externo.
- Deixe rodando pelo menos alguns dias antes de reclamar. Padrão aparece com o tempo.
- Anote eventos do seu lado: queda de energia, troca de roteador, manutenção.
- Gere o relatório e guarde junto com o número do protocolo.
Como usar o relatório com a operadora
Ter o dado é metade do trabalho. A outra metade é apresentar bem.
- Abra protocolo e informe que tem registro das quedas com data e hora. Peça visita técnica.
- Envie o PDF por e-mail ou pelo canal oficial, e anote o número do atendimento.
- Peça abatimento pelos períodos fora do ar. As regras da Anatel preveem compensação proporcional por interrupção do serviço; confira as condições do seu contrato.
- Se não resolver, registre reclamação na Anatel ou no consumidor.gov.br anexando o relatório. Reclamação com evidência costuma andar mais rápido.
Para empresa, o relatório também ajuda a decidir se vale contratar uma segunda operadora e configurar failover. Com duas linhas monitoradas, você vê qual é mais estável em cada horário.
E se eu quiser algo mais completo
O netmon é focado: prova de queda. Se você quer enxergar a rede inteira (roteador, switches, câmeras, servidores, impressoras), o caminho é Zabbix com Grafana. Eu rodo isso em Docker num Orange Pi monitorando duas WANs com menos de 500 MB de RAM, discovery automático e mapa de rede. Os detalhes estão em Zabbix e Grafana no Docker em Orange Pi.
Perguntas frequentes
O teste de velocidade da operadora vale como prova?
Vale como complemento, mas não mostra quedas que aconteceram fora do momento do teste. O registro contínuo é o que demonstra frequência e duração.
Preciso de dois links de internet para usar o monitor?
Não. O netmon funciona com uma operadora. Com duas, ele compara as duas no mesmo período, o que é útil para quem tem link de backup.
O monitoramento deixa a internet mais lenta?
Não de forma perceptível. Os testes são pacotes minúsculos. Mesmo a cada 2 segundos, o tráfego é irrelevante perto de uma chamada de vídeo.
Posso usar Wi-Fi no aparelho de monitoramento?
Pode, mas não deve. Wi-Fi tem suas próprias instabilidades e a operadora vai alegar exatamente isso. Cabo elimina a discussão.
Quer o monitoramento instalado e funcionando?
Eu instalo o monitoramento de internet na sua casa ou empresa, com relatório pronto para a operadora e alertas quando a conexão cair. Tudo fica no seu nome e com documentação. Veja os detalhes em monitoramento de rede, tire dúvidas no FAQ ou fale comigo pelo contato.