Roteador Wi-Fi branco com cabo de rede conectado
Foto: Compare Fibre / Unsplash

Você liga para a operadora, espera, explica que a internet cai várias vezes por dia e ouve a mesma resposta: “aqui no sistema está tudo normal”. Sem prova, a conversa termina aí. Com monitoramento de internet, ela muda de tom.

A ideia é simples: um equipamento dentro da sua rede testa a conexão o tempo todo e anota cada falha com data, hora e duração. No fim do mês, você tem um relatório. É exatamente o que faz o netmon, um projeto meu que monitora duas operadoras a cada 2 segundos num Orange Pi 3 LTS de 2 GB e gera um PDF com as quedas.

Neste artigo explico como funciona, o que medir e como usar o resultado para cobrar a operadora.

Por que o teste de velocidade não prova nada

O teste de velocidade mostra como a internet estava naquele minuto. A queda que derrubou a maquininha de cartão às 11h40 não aparece num teste feito às 15h. E a operadora sabe disso.

Para provar instabilidade, você precisa de três coisas:

  1. Medição contínua, não pontual.
  2. Registro com horário, para cruzar com o que aconteceu no negócio.
  3. Histórico, para mostrar que é recorrente e não um caso isolado.

O que um monitor de internet mede

MedidaO que significaPor que importa
DisponibilidadeSe a internet respondeu ou nãoMostra a queda propriamente dita
LatênciaTempo de resposta em milissegundosLatência alta trava chamadas de vídeo e sistemas na nuvem
Perda de pacotesPercentual de testes sem respostaPerda frequente indica linha ruim mesmo sem queda total
Duração da falhaQuanto tempo ficou foraBase para pedir abatimento
Gateway versus internetSe o problema é seu roteador ou a operadoraEvita culpar a operadora por defeito interno

Esse último ponto é o mais esquecido. Se o monitor não consegue nem falar com o seu roteador, o problema é dentro de casa (cabo, roteador, energia). Se fala com o roteador mas não sai para a internet, aí sim a responsabilidade é da operadora.

Como o netmon faz isso

O netmon é escrito em Python sem dependências externas. Isso significa que ele roda em qualquer Linux, inclusive numa placa barata como o Orange Pi, sem instalar biblioteca nenhuma.

Funciona assim:

  1. A cada 2 segundos, ele testa destinos confiáveis pela operadora A e pela operadora B.
  2. Cada teste que falha fica registrado com o horário exato.
  3. As quedas viram registros com início, fim e duração.
  4. Sob demanda, ele gera um PDF com a lista de quedas e o resumo do período.

Esse PDF é o documento que você anexa no protocolo da operadora. O código está no meu GitHub (github.com/cleber-son).

Por que num Orange Pi e não no computador

O monitor precisa ficar ligado o tempo todo e cabeado no roteador. Computador desliga, entra em suspensão e usa Wi-Fi, o que mistura problema de Wi-Fi com problema da operadora. Uma placa pequena ligada por cabo resolve isso gastando pouca energia. Se quiser entender a placa, veja Orange Pi: o que é e projetos práticos.

Passo a passo para montar o seu monitoramento

  1. Ligue o monitor por cabo direto no roteador da operadora (ou no switch principal).
  2. Configure o horário automático (NTP). Relatório com horário errado perde valor.
  3. Escolha destinos de teste estáveis, como servidores DNS públicos conhecidos, e use mais de um para não confundir falha de um servidor com queda da internet.
  4. Teste também o gateway (o IP do roteador) para separar problema interno de externo.
  5. Deixe rodando pelo menos alguns dias antes de reclamar. Padrão aparece com o tempo.
  6. Anote eventos do seu lado: queda de energia, troca de roteador, manutenção.
  7. Gere o relatório e guarde junto com o número do protocolo.

Como usar o relatório com a operadora

Ter o dado é metade do trabalho. A outra metade é apresentar bem.

  • Abra protocolo e informe que tem registro das quedas com data e hora. Peça visita técnica.
  • Envie o PDF por e-mail ou pelo canal oficial, e anote o número do atendimento.
  • Peça abatimento pelos períodos fora do ar. As regras da Anatel preveem compensação proporcional por interrupção do serviço; confira as condições do seu contrato.
  • Se não resolver, registre reclamação na Anatel ou no consumidor.gov.br anexando o relatório. Reclamação com evidência costuma andar mais rápido.

Para empresa, o relatório também ajuda a decidir se vale contratar uma segunda operadora e configurar failover. Com duas linhas monitoradas, você vê qual é mais estável em cada horário.

E se eu quiser algo mais completo

O netmon é focado: prova de queda. Se você quer enxergar a rede inteira (roteador, switches, câmeras, servidores, impressoras), o caminho é Zabbix com Grafana. Eu rodo isso em Docker num Orange Pi monitorando duas WANs com menos de 500 MB de RAM, discovery automático e mapa de rede. Os detalhes estão em Zabbix e Grafana no Docker em Orange Pi.

Perguntas frequentes

O teste de velocidade da operadora vale como prova?

Vale como complemento, mas não mostra quedas que aconteceram fora do momento do teste. O registro contínuo é o que demonstra frequência e duração.

Não. O netmon funciona com uma operadora. Com duas, ele compara as duas no mesmo período, o que é útil para quem tem link de backup.

O monitoramento deixa a internet mais lenta?

Não de forma perceptível. Os testes são pacotes minúsculos. Mesmo a cada 2 segundos, o tráfego é irrelevante perto de uma chamada de vídeo.

Posso usar Wi-Fi no aparelho de monitoramento?

Pode, mas não deve. Wi-Fi tem suas próprias instabilidades e a operadora vai alegar exatamente isso. Cabo elimina a discussão.

Quer o monitoramento instalado e funcionando?

Eu instalo o monitoramento de internet na sua casa ou empresa, com relatório pronto para a operadora e alertas quando a conexão cair. Tudo fica no seu nome e com documentação. Veja os detalhes em monitoramento de rede, tire dúvidas no FAQ ou fale comigo pelo contato.

Tem uma tarefa que você repete toda semana?

Me conta qual é. Em 20 minutos de conversa eu digo se dá para automatizar, quanto tempo leva e quanto custa — sem compromisso.

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